quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Brasília que o Brasil não vê

"Vista de longe, de fora do quadradinho, Brasília aparece na paisagem brasileira como uma cidade que ela não é. Até é, mas não é. É, no circuito vicioso do poder. Mas não é no vasto círculo dos brasilienses que fazem desta cidade a terceira metrópole brasileira em influência regional. Quem está de fora observa a cidade com certa desconfiança e, dada a distância, confunde o cenário. Supõe que a corrupção seja um mal epidêmico entre os brasilienses. Faltam a esses brasileiros janelas que se abram para a Brasília real, inquieta, versátil, panorâmica, verdejante, noturna, congestionada, desigual, bela, vasta, sofrida, criativa, cultural, ecológica, audaciosa, estranha - muitos e muitos adjetivos para descrever a capital do país no que ela tem de parecido e no que ela tem de diferente e único em relação a qualquer outra cidade deste e de outro planeta.
Tivesse a oportunidade de apreciar a capital mais de perto; pudesse abrir a janela de um escritório em Taguatinga, por exemplo, e acompanhar o vaivém inquieto de quem vai para o trabalho, tal e qual qualquer outro brasileiro em qualquer outra cidade; pudesse se debruçar sobre o parapeito da janela do Conjunto Nacional e se espantar com a súbita aparição de uma cidade que parece ter sido construída na infinitude do mar; experimentasse a verdadeira Brasília, a de todos nós, os brasileiros entenderiam que os corruptos se empanturram de dinheiro público sim, mas nem de longe a ação criminosa deles foi capaz de macular 'o casamento da audácia modernista com os sertões bravios', como definiu o sociólogo Gilberto Freyre.
Brasília é, em si mesma, uma janela para o universo. Quem mora nos pontos mais altos da cidade ou trabalha em prédios da área tombada sabe que a cidade foi construída para que seus habitantes pudessem experimentar o que experimentam os astronautas: a noção da grandeza de estar vivo. Ou, como disse Clarice Lispector, 'a idéia de eternidade'. Lucio e Oscar ofereceram ao Brasil uma janela para o infinito da criação humana e para a criação divina." Correio Brasiliense


Foto: Larrion Nascimento

Foto: Fabio Resck





sábado, 16 de abril de 2011

nem só de bar é feita Brasília

Hãm?: as quatro escalas determinadas por Lucio Costa para a organização da cidade - monumental, gregária, residencial e bucólica - definem uso do solo, índices de construção e efeitos urbanísticos adotados em cada área.

Escala bucólica: nela se inserem as áreas verdes como praças, gramados e jardins públicos. Deveria ser voltada para o lazer, permitir acesso ao lago Paranoá e aos parques, além de definir os limites da capital, situada em terreno inclinado e contornado por chapadas.

E adivinha em que escala o SeNEMAU quer te colocar...

http://casa.abril.com.br/brasilia/historia/escalas-brasilia-bucolica.shtml

Foto: mariliones







domingo, 27 de março de 2011

Perseguindo o Ideal





Sonhos são construídos com o despertar para os problemas que estão constantemente a cutucar a consciência humana. A afirmação de que o sonho é construído com o despertar pode causar certa estranheza, neste caso, no entanto, o fato é pertinente ao se considerar a peculiaridade dos dois conceitos.

O despertar ocorre coletivamente quando, dissipado o nevoeiro, a triste realidade de nossos semelhantes se revela. O sonho, portanto, é a projeção do ideal, sendo esse ideal objetivo a ser perseguido incessantemente.

Parafraseando Eduardo Galeano, perseguir o ideal é como andar em direção ao horizonte. Aproximam-se dois passos e ele se afasta dois. Caminha-se dez passos e o horizonte corre dez. Por mais que se avance, jamais há de alcançá-lo. Para que serve, então, perseguir o ideal?

Para nunca deixar de caminhar.

Ou seja, é para o caminho, não para a chegada, que se deve direcionar o olhar e a atenção. Perseguir o ideal, viajar em direção ao horizonte não é uma simples caminhada. É ingenuidade pensar que simplesmente colocar a mochila nas costas e tomar uma dose de boa vontade fará a viagem ao horizonte. Por mais lindo e aventureiro que seja seguir sem rumo, a certeza de se chegar ao destino é maior se for traçada uma rota, baseada na observação, na experiência, mudando o sistema a seu favor.

O Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo é fruto de um sonho, o de construir um país e uma universidade ideais. Surgiu como o meio de impactar a sociedade como estudante, como arquiteto. O sonho já está definido, o que falta conceber é a estrada, o meio mais eficiente de se alcançar o fim desejado. É mais intangível que o próprio sonho. Falta experiência. Falta conhecimento. Falta discussão.

O SeNEMAU Brasília 2011 pretende discutir e refletir sobre os EMAUs onde estão e aonde pretendem chegar, o que desejam se tornar e qual a direção a ser tomada para alcançar essa realidade. Como o EMAU pode se tornar o que a cidade sede dessa discussão é: um sonho concretizado.



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

a cidade sem homem

"Brasília é construída na linha do horizonte. Brasília é artificial. Tão artificial como devia ter sido o mundo quando foi criado. Quando o mundo foi criado, foi preciso criar um homem especialmente para aquele mundo. Nós somos todos deformados pela adaptação à liberdade de Deus. Não sabemos como seríamos se tivéssemos sido criados em primeiro lugar e depois o mundo deformado às nossas necessidades. Brasília ainda não tem o homem de Brasília. Se eu dissesse que Brasília é bonita veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia vêem nisso uma acusação. Mas a minha insônia não é bonita nem feia, minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. É o ponto e vírgula. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil: eles ergueram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério." Clarice Lispector


 Segundo o site da NASA, o desenho da cidade é 'inconfundível' e um dos 'melhores exemplos de planejamento urbano do século 20." (Foto: Nasa)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Pra que SeNEMAU?

"...o SeNEMAU seria uma boa oportunidade para sedimentar instruções para a organização interna dos EMAUs." Canto - Fortaleza CE



domingo, 13 de fevereiro de 2011

“Não basta ter belos sonhos para realizá-los. Mas ninguém realiza grandes obras se não for capaz de sonhar grande. Podemos mudar o nosso destino, se nos dedicarmos à luta pela realização de nossos ideais. É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho; de examinar com atenção a vida real; de confrontar nossa observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossa fantasia.
Sonhos, acredite neles.” (Lênin)